PRELÚDIO DOS ÚLTIMOS DIAS
Não querer nada
É obvio para mim.
Mas para os outros parece o impossível,
O absurdo.
Porque esses outros
Acham que eu... Logo eu
Sempre tenho que querer alguma coisa...?
Não, eu não quero que os outros me vejam nos outros
Quer saber?
Já estou cansado desses outros
Também já estou cansado de querer
Essa vontade impotente
Que se acha onipotente
Sempre me presenteando um prazer ausente.
Sinto-me esgotado de tudo
Essa esperança na esperança também me cansa.
Por que eu sempre tenho que achar que ainda existem fichas?
Onde elas estão?
Que barulho é esse?
O jogo acabou?
É tudo ilusão!
(...)
Fiquei bêbado com a realidade
E agora preciso ir ao banheiro ...
(Virgínio Gouveia)
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