sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

PRELÚDIO DOS ÚLTIMOS DIAS

 
Não querer nada

É obvio para mim.

Mas para os outros parece o impossível,

O absurdo.

Porque esses outros

Acham que eu... Logo eu

Sempre tenho que querer alguma coisa...?

Não, eu não quero que os outros me vejam nos outros



Quer saber?

Já estou cansado desses outros

Também já estou cansado de querer

Essa vontade impotente

Que se acha onipotente

Sempre me presenteando um prazer ausente.



Sinto-me esgotado de tudo

Essa esperança na esperança também me cansa.

Por que eu sempre tenho que achar que ainda existem fichas?

Onde elas estão?

Que barulho é esse?

O jogo acabou?

É tudo ilusão!

(...)

Fiquei bêbado com a realidade

E agora preciso ir ao banheiro ...

 
(Virgínio Gouveia)

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